terça-feira, 7 de julho de 2026

Porque a cultura nacional ainda importa

A celebração da seleção norueguesa no Campeonato do Mundo trouxe consigo uma imagem inesperada. Depois de cada vitória, os jogadores simulam uma remada viking, evocando uma das figuras mais conhecidas da história e da memória coletiva da Noruega. Um gesto simples, quase lúdico, que rapidamente passou a fazer parte da identidade daquela equipa.

Como acontece tantas vezes, não demoraram a surgir críticas. Houve quem visse na remada uma glorificação de um passado nacionalista, uma romantização da herança viking ou até uma forma de exclusão simbólica.

Mas talvez a questão mais interessante não seja essa.

domingo, 21 de junho de 2026

O regime mudou. Ou mudou a narrativa?

Donald Trump encarna o mundo de Orwell da pós-verdade, em que os factos se submetem à narrativa do momento, e as contingências desse momento são retrospetivas, ou seja, ajudam a recompor a história e a memória.

É, por isso, que o memorando de entendimento negociado com o Irão nos é vendido como uma vitória retumbante pelo presidente norte-americano, porque a urgência é maior do que as tecnicidades políticas de um conflito que só por ilusão de glória Trump achou que poderia ganhar.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

De Southampton a Belfast: quando a integração falha, o nativismo avança

As sociedades só subsistem havendo “contrato social”, um chão comum assente em normas partilhadas e instituições legítimas que ordenam o caos social em convivência, ordem e previsibilidade. Um dos mitos das sociedades ocidentais da última metade do século XX é o de que sociedades abertas geram sempre inclusão.